Série: Pequenas cidades, Grandes negócios

O Brasil possui 5570 municípios, a maior parte deles sofre com problemas estruturais de ordem crônica; são dívidas familiares fora de controle, desemprego e subemprego generalizados, poder aquisitivo consumido pela deterioração da economia nacional, sobretudo, porque, estes pequenos municípios dependem em grande medida de fontes econômicas externas. As consequências e demandas, no entanto, crescem continuamente. Neste aparente “apocalipse” dos pequenos e pobres municípios será possível reverter suas enfermidades crônicas? Em um breve relato sobre a situação desses pequenos municípios e o contexto em que Taiobeiras se encontra, discutamo-nos a grande jornada de ordem crítica da crise econômica que se alastra no Brasil.
Pesquisas recentes indicam que quanto mais uma cidade é rica menor é a sua dependência de recursos externos. Isso se deve ao fato de que, nas cidades ricas grande parte dos recursos são gerados no local, e por sua vez, alimentam com o excedente as demais. Com isto, tem-se, empresas com suas sedes nas cidades ricas e que arrecadam recursos para si e para sua cidade, já que os investimentos dessas empresas irão alimentar a sede e ao mesmo tempo fluir investimentos e giro financeiro/capital nas cidades sedes e também em menor grau das filiais, tornando as cidades ricas na fonte econômica para a região. No Brasil, as cidades mais ricas são também as mais populosas, isso não é muito difícil de ser explicado: Basicamente, as grandes cidades brasileiras, por concentrarem grande população, concentram também empresas com suas sedes e até muitas filiais para atender de forma mais rápida e eficiente o mercado consumidor concentrado. Daí você tem grande volume de dinheiro entrando em circulação quer pelas empresas, quer pelos consumidores que trabalham e consomem no local, donde vivem, aumentando e fortalecendo o mercado interno que agrega valor aos bens e serviços. Aumenta-se, também, a arrecadação de impostos, cujo volume se concentra e se reverte para essas mesmas cidades.
Nas pequenas cidades brasileiras, por sua vez, são completamente o contrário das grandes; com pouca gente, elas são deixadas de lado pelos grandes investidores e pelos bons volumes de circulação de bens e serviços. As consequências disso, são claras e impactantes: poucos recursos em disponibilidade, baixo poder aquisitivo da população, baixo investimento, escassez de emprego e baixos salários, subemprego, além da facilidade de endividamento familiar. Taiobeiras se insere nestes dados com as demais, apresentando, além disso, um agravamento atual, a crise econômica, que atingiu o país com muita força e quebrou a economia principalmente das pequenas cidades devido a ampliação dos problemas e limitações anteriormente citados.
Sabe-se que, as pequenas cidades são altamente dependentes dos recursos da União e do Estado, além das conhecidas verbas parlamentares, pois, os recursos próprios dos municípios são insuficientes para atender toda a demanda de investimento e manutenção das repartições públicas. Com a crise, esta dependência se agravou, ao passo que, os recursos repassados diminuíram, levando à queda de investimentos que antes fomentavam as frágeis economias citadinas, limitando-se, quando muito, à manutenção da estrutura já construída e localmente consolidada, por não ser possível um corte, eventualmente. Como bem se sabe, as prefeituras e órgãos públicos são os “motores da economia” nestes locais, mas, os custos por esta política, como mostram, são insustentáveis, de modo que, com o desenrolar da crise econômica, desenrola-se junto a sobrecarga, em especial, na saúde, transporte, educação e infraestrutura viária.
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