Série: Pequenas cidades, Grandes Negócios
Parte 2- Dados concretos
As cidades mais ricas são aquelas que conseguem minimizar os impactos de crises supra municipais. Para tanto, as cidades precisam equilibrar suas forças econômicas com as forças econômicas externas, aliando, conformando e se adaptando, flexibilizando suas estratégias de economia e finanças, caso contrário elas sofrerão os impactos dos vai-e-vem dos negócios e situações econômicas à níveis superiores à delas. No Brasil, menos de 600 cidades possuem tal equilíbrio, não necessariamente são cidades ricas economicamente, nem polos industriais/comerciais importantes, mas na maioria há atividades importantes e variadas. Noutras, sim, além de terem atividades variadas são polos importantes como Barueri (47,8%), São Bernardo do Campo (50,5%), Guarulhos (51,1%), Osasco (45,9%). Em Minas Gerais, a situação é crítica, pouquíssimos municípios possuem resiliência à crises, por exemplo: Uberaba(53,5%) regular, Governador Valadares (53,8) igualmente, Juiz de Fora (55,5%) razoável, Uberlândia (54,7%) também, Confins (57,4%) já um pouco distante como também Contagem (57,7%) e mesmo outras grandes e ricas cidades mineiras possuem grande dependência externa como Betim (71%), Ipatinga (73,5%), Manhuaçu (80,3%), Sete Lagoas (60%) muito maleável, Extrema que é a cidade mineira que mais cresce nos últimos anos está em 79,4%.
No Brasil, no entanto, as cidades mais ricas e menos dependentes são as capitais como São Paulo (30%), Rio de Janeiro (33,3%), Curitiba (39,6), Florianópolis (37,5%) e Porto Alegre (38,8%). Mas, há também, capitais razoáveis como Belo Horizonte (48%), Goiânia (52%), Salvador (46%), Recife (47,1%) e Manaus que possui baixa resiliência (59,6%).
No Norte de Minas Gerais as cidades são, no geral, muito carentes e dependentes externamente e mesmo as cidades mais “ricas” são críticas, neste ponto de vista, é o caso de Manga (87%), Jaíba 89,4%), Janaúba (84,8%), outras “mais regulares” Bocaiúva (77,2%), São Francisco (75,1%), outras muito longe de uma estabilidade como Porteirinha (93%) e Espinosa (84,1%), das que se sobressaem na região se destaca Pirapora (57,9%).
No Alto Rio Pardo, por sua vez, a situação é crítica em todos os exemplos. Veja só: Taiobeiras tem taxa de 89% de sua economia vinda de receitas externas, de acordo com o IBGE 2015, o que mostra que a grande dependência dela e de outros pequenos municípios em relação à outras cidades maiores como Montes Claros, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, além de outras em menor grau, é exorbitante. Outras cidades da região estão em situação igual ou pior como: Indaiabira (94,4%), Curral de Dentro (94,9%), Berizal (93,6%), Divisa Alegre (96,4%), Montezuma (92,8%), Águas Vermelhas (92,8%), Rio Pardo de Minas (93,5%), Rubelita (94,6%), Novorizonte (95%), e mesmo Salinas que, um pouco mais rica na microrregião, possui a taxa de 88,5%.[1] Esta taxa de dependência externa se deve a inúmeros fatores como: imigração populacional; investimentos vindos de imigrantes munícipes ou regressos; quitação de dívida familiar por poupança sazonal em outra cidade e trabalho; recursos do governo federal e estadual junto às emendas parlamentares que juntas correspondem por grande parte das verbas públicas nestes pequenos municípios.
Taiobeiras participa desse seguimento, à medida que possui em torno de 90% de sua economia dependente desses e outros fatores para uma política de quase falência. Ela e as demais pequenas cidades da região norte mineira, assim como as do Brasil inteiro em geral, apresentam os velhos e graves problemas deficitários: desemprego, déficit populacional, falta de profissionalismo, falta de dinheiro em circulação, baixo capital de investimento, concentração dos recursos nos órgãos públicos da Administração Direta e Indireta com baixo retorno qualitativo e alta depreciação da economia local com a queda do investimento de caráter infraestrutural, anticrise e pró-empreendimento, além de grandes dívidas familiares que consomem parcelas significativas do poder aquisitivo local. Todos estes problemas acarretam outros; migração para as grandes e médias cidades em busca de educação, saúde, emprego, estabilidade, infraestrutura e espaço para investir apropriadamente. Por exemplo, geralmente as famílias enviam seus filhos para estudo e/ou trabalho, ou ainda as esposas, os seus maridos que passam uma temporada que as vezes levam a maior parte do ano para lavouras, bicos, e vendas nas grandes cidades, onde o dinheiro circulado é maior e juntam, quando podem, uma poupança significativa para paliar os problemas financeiros familiares que de modo geral são simples, porém, precários como dívidas de compras alimentícias em grande volume, reparos domésticos, empréstimos bancários com alta carga de juros e etc.
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