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A grande dependência externa dos pequenos municípios e Taiobeiras neste contexto- Parte 4: Em busca de equilíbrios

Série: Pequenas cidades, Grandes negócios

Parte 4- Em busca de equilíbrios (Atenção esta é uma continuação, Leia a página anterior, clique aqui)


Anteriormente, citamos o fenômeno da globalização que possibilitou trocas significativas de conhecimento entre os povos, isto permitiu o maior avanço simultâneo de cidades, povos, nações e projetos no mundo, desde a chegada do homem, em tese. Mas, sabe-se que, a globalização é apenas a ponta do iceberg, antes se faz necessário uma grande mobilização não das massas, mas, das liberdades individuais, explorando-lhes o incentivo ao empreendedorismo e encorajamento plurissocial. O que há de mais óbvio a ser feito nas pequenas cidades para ‘estimular-lhes o progresso local’?

Em primeiro lugar é preciso distinguir a necessidade de averiguar necessidades e oportunidades, para depois, planejar e executar um plano a nível governamental, colaborativo, organizacional, corporativo e principalmente individual, pois é no indivíduo que está concentrado a força para as soluções. Na segunda colocação, sobrepostar fatos e alternativas, de forma a garantir a demanda ou sobredemanda de determinado setor. Por exemplo, suponha-se que haja uma cidade, cujas ruas precisem todas de asfalto, mas, a empresa contatada para fornecer o serviço de pavimentação localiza-se num grande centro urbano, distante dessa cidade, então, o preço é muito mais caro de tal forma que, 1km de asfalto custe 2 milhões de reais, mas com este mesmo valor é possível criar uma própria empresa deste ramo, cujos meios de produção possam dar garantia de asfaltar todas as ruas dessa cidade com valor muito mais baixo que aquela. Então, tornar-se mais vantajoso para o município colocar sua própria empresa estatal do ramo e realizar o que precisa ser feito com muito menos custo, porém, apenas enquanto for vantajoso para o município manter tal empresa, após algum tempo, torna-se necessário entrega-la à iniciativa privada, os motivos são óbvios, a partir do momento que a empresa precisar aumentar sua demanda, aumentar seu custo de produção, aumentar seus funcionários, aumentar seus planos e estratégias de expansão e principalmente quando ela precisar de manutenção. Uma empresa estatal não pode sugar o dinheiro público e nem pode simplesmente ser uma empresa estatal com fins lucrativos, pois para tal precisaria ser contratada pela prefeitura e esta gastaria inutilmente mais para “dar lucro” a tal empresa estatal do município. Se por outro lado, a própria sociedade privada tiver condições de ela mesma montar tal empreendimento vendo a necessidade de sua cidade, é a ela que deve ser incentivada a iniciativa. Portanto, é preciso ver as necessidades e vantagens, mas, também as comodidades e desvantagens. No fim, poder-se ia privatizar a empresa de pavimentos e com o lucro a prefeitura realocaria para outras finalidades o “recurso extra”.

O problema é que apesar de vários cidadãos e empresários tendo as condições para realizar investimentos que beneficiem a cidade e a torne mais desenvolvida, o espaço para os empreendedores é extremamente hostil na maioria delas. Burocracia, patrimonialismo, lentidão de licenças e processos, excesso de leis e normas a seguir, além de pesados impostos e altos custos para construção, além da completa falta de apoio logístico e estrutural na cidade para receber e promover o livre desenvolvimento da sociedade organizada e empresarial. Este problema poder-se ia começar a ser resolvido, em parte, se a presente cidade necessitada dedicasse a criação de um distrito industrial/comercial, cujo ambiente além de possuir infraestrutura propícia como energia, água, esgoto, sinal de telefonia e internet, entre outros possuísse também ruas e vias estrategicamente planejadas para o melhor escoamento possível da produção e transporte industrial e/ou comercial, também a integração com diferentes transportes e vias modais, a construção de um terminal intermodal, um terminal de escoamento da produção, um ponto de venda e alocação. Tudo isto, promoveria localmente a criação e chegada de empresas para atender as novas demandas como transporte público (delegado à iniciativa privada, por meio da concessão e/ou parceria. Além disso, haveria isenção fiscal tanto por parte da prefeitura em impostos relacionados a produção, e também por parte do Estado que teria de reconhecer a eficiência de um distrito comercial/industrial na geração de empregos, alavancagem da economia local, elevação do nível de renda e distribuição da mesma entre inúmeras outras vantagens, se por um lado a cidade e o Estado perderia recursos em impostos por tais procedimentos, por outro lado, ela teria mais recursos devido a própria elevação da economia que diretamente aumentaria a arrecadação. Mas, o sonhado equilíbrio não é tão fácil de ser conseguido, visto que, nem as cidades, nem os Estados estão realmente a fim de ‘cortar na veia’ uma das suas principais fontes de arrecadação. O preço é alto para a cidade e para os próprios governos que não conseguem ter sustentação de crescimento.

Outra coisa que poderia ser feita nas cidades pouco desenvolvidas é o sistema de intercâmbio. O intercâmbio entre cidades se trata de uma mútua interação de ordem social, cultural, econômica, política. Um exemplo disso, são as chamadas cidades-irmãs, quem estuda um pouco de geografia ou se atém no mundo globalizado, sabe ou já ouviu falar delas, as cidades irmãs são conceitos de interações de múltiplas faces que cidades semelhantes nos mais variados pontos de vista e não somente no sentido populacional ou econômico estabelecem-se entre elas para variadas finalidades. São Paulo, por exemplo, possui 42 cidades-irmãs, não se trata, necessariamente, de cidades enormes e cosmopolitas como ela, embora algumas sejam como Toronto e Xangai, são cidades que possuem traços em comum, ainda que pequenas como Funchal ou capitais nacionais como Buenos Aires e Montevidéu. O Brasil possui 47 cidades irmãs no Japão, graças à essa política que muito tem beneficiado ambas as partes. O intercâmbio pode oferecer também benefícios como troca de conhecimentos políticos, econômicos, científicos, tecnológicos, estruturais, organizacionais, empresariais, comerciais, educacionais, sociais, combate à miséria e epidemias, etc. Há, inclusive, troca de estudantes ou “troca de cérebros” entre essas cidades para promover relações e benefícios diversos para todos os envolvidos. O intercâmbio pode ser uma boa forma das cidades pequenas e pouco desenvolvidas interagirem-se para a resolução e solução de problemas comuns, sejam eles por um dos lados acabado ou ambos enfrentando-os. [3][4]

Acabar com a ideologia partidária e/ou ideológica que contamina o desenvolvimento de qualquer ambiente governamental. A ideologia, por si só, acaba com o sistema de progresso contínuo, pois desde que o mundo é mundo, ninguém tem total acordo com outra pessoa, em algum momento elas irão discordar-se e os problemas irão aparecer, até porque, se não aparecerem os conflitos é sinal de que o projeto ruma ao buraco. Por isso, a ideologia deve ser deixada de lado na hora de decidir-se sobre determinada situação e procura-la resolver na base da racionalidade e no campo das ideias, essas sim, necessárias. O que se vê, no entanto, é pura demagogia política entre aqueles que governam as pequenas cidades, subjulgados por interesses ideológicos e/ou partidários, eles não governam para o povo, mas para a próxima eleição, também não possuem um real plano realizável e verdadeiramente executável para as cidades. Eles adiam a solução das deficiências para as próximas eleições ou mesmo próximos governos, mas o preço é o agravamento da situação.

Outra coisa que não poderia, mas, deve ser feita é o Plano Diretor. Toda cidade por mais pequena que seja precisa ter um Plano Diretor e Subplanos de Desenvolvimento em todas as áreas: Economia, Finanças, Assistência Social, Saúde, Transporte, Infraestrutura, Lazer/Cultura, Turismo, educação, profissionalização e especialização/capacitação. Construir um plano de metas PARA SE ATINGIR ATÉ O FINAL DE CADA ANO E TAMBÉM DE CADA MANDATO. Porém, não se baseando em politicagens de perpetuação no poder, mas, na real capacidade de bem fazê-lo.

Leia também:Parte 1: A grande dependência externa dos pequenos municípios e Taiobeiras neste contexto
Parte 2: A grande dependência...
Parte 3
PArte 5: Final



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